Abuso por Ritual Satânico 

Há quase duas décadas que existem alegações da existência de um bem organizado culto satânico cujos membros molestariam sexualmente, torturariam e assassinariam crianças nos Estados Unidos. As alegações podem ter atingido o seu pico quando Geraldo Rivera falou disto no seu talk show. Tanto quanto sei, Geraldo não planeia anunciar a conclusão de um estudo de quatro anos que não encontrou um único caso que corrobore evidências de abusos por rituais satânicos.

O estudo foi conduzido na Universidade da California em Davis pelos professores de psicologia  Gail S. Goodman e Phillip R. Shaver, em conjunto com Jianjian Qin da UC Davis e Bette I. Bottoms da Universidade do Illinois em Chicago. O estudo foi apoiado pelo National Center on Child Abuse and Neglect. Foram investigados mais de 12.000 acusações e consultados mais de 11.000 psiquiatras, serviços sociais e forças policiais. Os investigadores não encontraram qualquer evidência de um só caso de abuso por culto satânico.

Se existem milhares de acusações infundadas, donde surgiram? A maior parte delas, de crianças. Como há a crença de que as crianças não inventariam histórias de comerem outras crianças ou ter sexo com girafas após andarem de avião quando deviam estar na creche, as histórias foram muitas vezes tomadas pelo valor literal por pais, terapistas e policias. Contudo, os investigadores concluiram que as crianças não inventam histórias de rituais satânicos. Então, donde vieram as histórias? Provavelmente de terapistas, policias, advogados e pais. Qualquer um que tenha visto videos dos interrogatórios ou lido transcrições, sabe que há evidências de que terapistas e policias encorajam e recompensam as crianças por aceitarem sugestões de comportamentos abusivos bizarros. Tambem desencorajam a verdade recusando-se a aceitar não como resposta, obrigando a criança a continuar no interrogatório até darem as respostas que são procuradas.

Há uma triste ironia. Os que fazem acusações de abusos satânicos são pessoas religiosas. Os investigadores concluiram, contudo, que "Há muitas mais crianças a serem abusadas em nome de Deus do que em nome de Satanás." De acordo com Gail Goodman, a lei americana protege pais que recusam assistência médica aos filhos e que isso corresponde a abuso. A negação de cuidados médicos com motivos religiosos pode ser apenas a ponta do icebergue. Há um movimento crescente entre alguns cristãos que é uma espécie de "amor duro". Em certos aspectos, o método é reminiscente de Watson e a sua aproximação behaviorista à educação infantil: tratar a criança como um adulto em miniatura a quem falta auto-disciplina. Suportam o seu abuso com citações biblicas e quem sabe quantos os seguirão.

Um resumo do estudo de Goodman pode ser obtido no National Center on Child Abuse and Neglect com o telefone 1-800-394-3366. O relatório completo custa 28 dólares.


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