Polígrafo (máquina "detector de mentiras")

Um instrumento que simultaneamente regista mudanças em processos fisiológicos com as batidas do coração, pressão arterial, respiração, usado como detector de mentiras pela Policia, FBI, CIA, KGB, KKK, e empresas privadas.

Há alguma prova de que a máquina detecte mentiras? Bem, a máquina mede alterações das batidas do coração, pressão arterial e respiração. Quando uma pessoa mente é assumido que essas mudanças fisiológicas ocorrem de um modo que um especialista treinado pode detectar se a pessoa está ou não a mentir. Existe alguma fórmula cientifica ou lei que estabeleça uma correlação entre mentir e estas mudanças fisiológicas? Não. Há alguma evidência de que os especialistas detectem mentiras numa percentagem mais significativa que os não treinados usando outros métodos? Não. Não há máquina ou especialista que detectem com elevado grau de certeza se uma pessoa está a mentir ou não.

Algumas pessoas, como o Senador Oren Hatch, não confiam no uso do polígrafo, mesmo se usado por um especialista como Paul Minor que treinou agentes do FBI no seu uso. Anita Hill passou um teste (e provou-se que mentira) administrado por Minor que declarou que dizia a verdade. Hatch declarou que alguem com uma desordem mental pode passar o teste se pensar que está a dizer a verdade! Mas a habilidade de sociopatas e iludidos passarem o teste não é razão para as máquinas não darem melhores resultados que outros métodos de detecção de mentiras.

A razão porque o polígrafo não é um detector de mentiras é que o que ele mede--mudanças nas batidas do coração, pressão arterial e respiração--podem ser causadas por muitas coisas. Nervos, angustia, tristeza, embaraço e medo podem alterar aqueles valores. O necessitar de ir à casa de banho pode provocar os mesmos efeitos. Há todo um conjunto de condições médicas que podem provocar as alterações. As afirmações de que um especialista podem distinguir as diferentes causas nunca foram provadas.

Na California e, suponho, noutros locais, os resultados de testes de polígrafos não são aceites em tribunal. Isto pode ser devido à falta de garantias dadas, ou porque os pequenos ganhos do seu uso são de longe desiquilibrados pelos possiveis abusos policiais. O teste pode ser usado para invadir a privacidade de uma pessoa. Os cépticos consideram os polígrafos tão fiáveis como testemunhos feitos sob hipnose, que tambem não são aceites em tribunal.

A ACLU combate estas máquina devido aos abusos, entre outros, de invasão de privacidade.

Por exemplo, de modo a estabelecer reacções fisiológicas "normais" da pessoa a ser testada, os examinadores fazem perguntas propositadamente embaraçosas e humilhantes. "Quando foi a ultima vez que se expôs em publico depois de ter bebido?" e "Quem foi a ultima criança que o excitou sexualmente?" Os poligrafos teem sido usado pelas empresas para fazer os seus funcionários "confessar" infracções que não cometeram ou para implicar falsamente colegas .

Então porque tantos querem usar tais máquinas? Em primeiro lugar, há o factor de tecnologia esotérica. A máquina parece um instrumento da era espacial, sofisticada. Só pode ser usada por especialistas. Os não especialistas estão à mercê destes feiticeiros que sózinhos podem entregar o prémio: a decisão sobre quem está a mentir e quem não está..

Outro factor é a velha falácia: funciona! Caso após caso podem ser apresentados para demonstrar que o polígrafo funciona. Há os casos dos que falharam e cujas mentiras foram confirmadas por outros dados. Há os casos dos que vendo que falharem o teste confessaram de imediato. Qual a prova de que a percentagem de identificações correctas é maior que a obtida por outros meios não tecnológicos? Não existe. As provas são anedóticas ou baseadas na falácia de que uma correlação prova uma relação causal.

É possivel que os que querem usar polígrafos pensem que os testes assustem os que mentem de modo a convencê-los a dizer a verdade. Por outras palavras, eles não acreditam mesmo que o detector funcione, mas se os testados pensarem que sim, então acabarão por ser apanhados. Ou seja, o resultado é o mesmo do que se a máquina funcionasse: não contratam mentirosos e apanham os desonestos. 

O que é verdade para o polígrafo é verdade para todos os testes de "honestidade" ou "integridade". Não há qualquer prova suportando a afirmação que tais testes podem medir a verdade, a mentira, a honestidade ou a tendência de pessoas inteligentes se enganarem a elas mesmo.


Adenda: Sacramento Bee. 31 Março 1998. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos manteve a proibição do uso de resultados do polígrafo em tribunais militares. Justice Thomas, falando pelo tribunal afirmou: "Não há consenso que as provas do polígrafo sejam de confiança... a comunidade cientifica mantem-se extremamente polarizada sobre a exactidão das técnicas do poligrafo... Pura e simplesmente não há maneira de saber num caso particular se a conclusão da leitura do poligrafo está correcta ou não." O caso envolvia um piloto que queria apresentar em sua defesa os resultados dos testes do chamado "detector de mentiras". Era acusado de usar drogas e passar cheques sem cobertura. De acordo com o seu advogado, a Força Aérea fez cerca de 35.000 testes com o poligrafo em cerca de um ano. E perguntava, bem, se os testes não eram fiáveis, porque os faziam? Boa pergunta, mas que devia ser colocada à Força Aérea e não ao Supremo Tribunal.


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