Personologia

Personologia é uma variante New Age da antiga pseudociencia da fisiognomia, segundo a qual a aparência exterior de uma face é a chave para o caracter e o temperamento da pessoa.

A Personologia foi desenvolvida nos anos trinta por Edward Jones, um juiz de Los Angeles, segundo Naomi Tickle, fundador do International Centre for Personology. De acordo com Ms. Tickle, o juiz "ficou fascinado pela relação entre as caracteristicas faciais e os padrões de comportamento das pessoas que apareciam perante ele no tribunal." Então, como muitas outras pessoas ingénuas, pensou que as suas observações pessoais estavam livres de preconceitos e constituiam dados cientificos. O Juiz Jones ensinou mesmo a sua "nova ciência" ao publico. 

O Juiz Jones podia ser muito bom em leitura fria, mas não fez qualquer experiência controlada para minimizar os efeitos da auto-ilusão e o desvio para a confirmação que dificulta a qualquer um de nós o avaliar as nossas próprias experiências. Devia ter-se preocupado com o efeito Forer, dado a história de tentativas similares de adivinhação de personalidade, como a astrologia e a frenologia.

O Juiz Jones cometeu o mesmo erro de Franz-Joseph Gall, o criador da frenologia: pensou que observara um padrão e não fêz qualquer esforço para testar cientificamente o seu raciocínio. Gall pensou que observara um padrão entre o formato da cabeça e tipos de insanidade e criminalidade. Jones pensou que encontrara um padrão de similaridades faciais em pessoas acusadas por crimes similares. Nenhum considerou que, após acreditarem em tais noções, seria fácil confirmarem as suas crenças.

De acordo com Ms. Tickle, a "ciência" foi feita por Robert L. Whiteside, um editor de jornais, que "usou 1068 pessoas e encontrou um resultado positivo superior a 90%." Whiteside é o autor de Face Language (New York, F. Fell Publishers; 1974). Whiteside tornou-se um defensor ao ver Jones fazer uma leitura fria da sua mulher após uma sessão publica. Whiteside ficou espantado por Jones saber tanto sobre a sua mulher sem a conhecer. Contudo, procuramos em vão por publicações do sr. Whiteside em revistas cientificas. Apesar de Whiteside e o seu trabalho ser universalmente ignorado pela comunidade cientifica, tem-se verificado o crescimento da personologia. 

Mais "ciência" tem sido acrescentada por outro Whiteside. De acordo com Bill Whiteside, que afirma ter sido treinado por Robert Whiteside, existe uma conexão cientifica entre genética e comportamento e entre genética e aparência fisica. Portanto, conclui ele, tem de existir uma conexão entre comportamento e aparência fisica.

Ao longo dos anos, [cientistas] provaram que a nossa herança genética surge na nossa estrutura e, portanto, tambem nos nossos padrões de comportamento.

Tambem podia argumentar que visto a côr dos olhos ser geneticamente determinada, era uma chave para compreender a personalidade.

De acordo com Bill Whiteside,

Existem 68 traços comportamentais na Personologia. Um observador treinado identifica cada um destes com a visão, medida ou toque. Existem 5 áreas principais: Fisica, Expressão Automatica, Ação, Sensação e Emoção, e Pensamento. A localização de cada área situa-se logicamente e relaciona-se com a correspondente área do cérebro.

Tudo isto parece muito cientifico, mas nada do que sabemos do cérebro apoia tais noções.

Em resumo, a personologia é atraente porque os seus proponentes estão maravilhados com a sua exactidão. O seu maravilhoso deve-se principalmente à falta de compreensão de coisas como o efeito Forer, leitura fria, e o desvio para a confirmação. A crença na personologia é reforçada pelo facto de que os seus defensores apenas procuram dados confirmatórios da sua crença. Não só ignoram todos os dados das neurociências que contradizem as suas crenças, como não tentam sistematicamente testá-la de modo a poder prová-la falsa.

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