Mesmerismo

Uma fraude médica do século 18 desenvolvida por Franz Anton Mesmer, envolvendo as suas sugestões e fazendo os seus clientes ficarem "mesmerizados" por ele. Ele usou os seus extraordinários poderes de sugestão para colocar as pessoas em convulsão ou em transe. Foi tão bem sucedido que o termo passou a descrever a influencia sobre os outros. 

Por volta de 1770, Mesmer, um fisico Vienense, encontrou Maximillian Hell, um jesuita e curandeiro. O resto, como se diz, é história. Hell curava pessoas com um prato metálico magnético. O Dr. Messmer obteve o seu titulo com uma dissertação plagiada sobre os efeitos dos planetas na saude. A "prova" de que o tratamento magnético de Hell resultavam era que os seus clientes saíam satisfeitos. Mesmer plagiou a terapia de Hell e postulou que se devia a um subtil fluido magnético que atravessa tudo mas que por vezes fica perturbado e necessita de ser reposto no seu equilibrio. Hell, segundo ele, desbloqueava o fluido com os seus imanes. (É de perguntar se Mesmer ouviu falar da crença chinesa no chi e na acupuntura. E será que os praticantes de toque terapeutico se inspiraram em Mesmer?). Mesmer descobriu que conseguia o mesmo sem imans, e postulou que existia um "magnetismo animal" para corrigir os fluidos. 

Mesmer tambem descobriu que mesmo que não usasse magnetos o resultado era o mesmo, agitasse ele uma vara sobre a pessoa, fizesse-a sentar em água magnetizada, etc, enquanto se movia em volta com as suas vestes coloridas. Era capaz de levar as pessoas a dormir, dançar, terem convulsões. Mesmer fazia basicamente o mesmo que os hipnotizadores dos dias de hoje fazem nas salas de espectáculo, e o que os curandeiros pela fé fazem nas igrejas e tendas de circo; a diferença é que ele juntava as duas facetas. Com a ajuda de Luis XVI e Maria Antonieta, Mesmer instalou o Instituto Magnético, onde os seus pacientes se sentavam com os´pés numa fonte de água magnetizada segurando cabos presos a árvores magnetizadas. Foi denunciado como charlatão por uma comissão que incluia Benjamin Franklin, bem como pela classe médica francesa.

O frade Hell e o Dr. Mesmer curaram realmente alguem? Não, claro que não. Alguns dos seus pacientes sentiram-se melhor após o "tratamento", ou declararam terem sido curados? Sim, claro que sim. Os curandeiros teem sempre alguns "sucessos." Em alguns casos, criam as doenças pelo seu poder de sugestão e a receptividade dos sujeitos. Estas doenças podem ou não ter manifestações fisicas. Podem ser possessões demoniacas ou um excesso de riso nervoso. Podem apresentar manifestações como convulsões ou um estado de sonolência. De acordo com Nicholas Spanos, estes pacientes só adoecem quando concordam em representar o papel de doente para o heroico médico/salvador.

Mas e o que acontece aos que estão realmente doentes e se dirigem a curandeiros como Hell ou Mesmer, ou aos modernos como Andrew Weil ou Deepak Chopra? Algum tem o seu cancro curado, as enxaquecas aliviadas, a vista melhorada? O que não se pode negar é que algumas pessoas teem a sua vida alterada pelos curandeiros. Acredito que as mudanças ocorrem porque a pessoa tem um desejo muito forte de ser curado e as mudanças são uma possibilidade razoável de conseguir por força da vontade: um fumador deixa de fumar após ir a um hipnotizador, um curandeiro, um acupunturista. Um cancro terminal não se vai curar com a força de vontade. Nem com uma reza, nem com um iman.

Quando personagens como Mesmer "curam" pessoas, é o sujeito que se "cura" a si mesmo. Eles estabelecem a relação com o mestre e respondem às suas sugestões porque concordam em responder. Em resumo, toda a "cura" é feita por fé. Muitas vezes a cura ou a mudança podem ser conseguidas por meios mais pacificos e baratos. Por exemplo, Deepak Chopra cobra 25.000 dólares por actuação em que debita algumas verdades gerais e dá conselhos espirituais, enquanto avisa contra os efeitos doentios do materialismo. As suas audiências não se preocupam por ele viver numa casa de 2,5 milhões de dólares em La Jolla, Califórnia, que paga facilmente graças aos milhões que amealhou com a venda dos seus livros, cassetes, aparições, ervas, etc. Os seguidores teem fé nele e concordam em seguir os seus conselhos porque querem. Mas como consegue ele isto? A resposta não está em estudar Deepak Chopra, mas em estudar os seus seguidores e o papel que tantas pessoas precisam de representar.

Deve-se notar, em conclusão, que os espiritos de Hell e Mesmer devem estar felizes por saber que a estimulação magnética do lóbulo préfrontal esquerdo do cérebro está a ser testada como possivel ajuda para o tratamento de doentes de depressão. Muitas depressões podem ser tratadas por medicamentos, mas algumas apenas respondem a terapia electroconvulsiva (ECT), representada em Voando sobre um Ninho de Cucos. Investigadores do National Institute of Mental Health (NIMH) esperam que repetidas estimulações magnéticas transcranianas (TMS) funcionem como a ECT sem efeitos secundários (feridas e perdas de memória, por exemplo). Esta pesquisa não se baseia em crença no magnetismo animal ou num fluido universal magnético, mas em factos: (1) a ECT funciona embora ninguem saiba bem como; (2) o lóbulo préfrontal esquerdo apresenta um metabolismo anormalmente baixo em cérebros de deprimidos; (3) após ECT e TMS existem aumentos visiveis no metabolismo do cérebro; (4) após a ECT muitos pacientes apresentam dramáticas melhorias de disposição; e (5) estudos preliminares mostraram melhorias em pacientes tratados com TMS. Contudo, não esperem por um Mesmer que se erga sobre a classe médica e leve o show para a estrada. Quem está a investigar TMS são cientistas, não curandeiros. Podem chegar à conclusão de que o tratamento é inutil ou perigoso.


Leituras

"Magnetic stimulation studied as alternative to ECT for depression," in NAMI Advocate, vol. 19, no. 2, September/October 1997, pp. 20-21.

Baker, Robert A. They Call It Hypnosis (Buffalo, N.Y.: Prometheus Books, 1990).

Randi, James. An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes of the Occult and Supernatural , (N.Y.: St. Martin's Press, 1995). 

Spanos, Nicholas P. Multiple Identities and False Memories: A Sociocognitive Perspective (Washington, D.C.: American Psychological Association, 1996). 

recuarhome