Ciência patológica

Alguns anos antes da sua morte, o Nobel em quimica Irving Langmuir, fez uma apresentação no General Electric's Knolls Atomic Power Laboratory sobre o tópico da "ciência patológica". Deu vários exemplos, como os raios N de Blondlot, e afirmou que

Há casos em que não há desonestidade envolvida mas em que as pessoas são enganadas por resultados falsos por uma falta de compreensão de que os seres humanos podem fazer a si mesmos devido a efeitos subjectivos. Estes são exemplos de ciência patológica. São coisas que atraem bastante atenção. São publicadas resmas de papel. Algumas vezes duram 15 ou 20 anos e acabem por morrer gradualmente.... eis as suas características...

O efeito máximo observável é produzido por um agente causal de quase indetectável intensidade.

Outra característica é que as observações estão próximas do limiar do visivel. Qualquer outro sentido pode ser usado.

Há afirmações de grande exactidão.

São tipicamente "Teorias fantásticas contrárias à experiência."

As criticas são respondidas por desculpas ad hoc pensadas no calor do momento.

A percentagem de apoiantes pode chegar perto dos 50% e depois decresce gradualmente até desaparecer. Os criticos não podem reproduzir os efeitos. Só os apoiantes podem fazê-lo. No fim, nada resta.

A. Cromer, comentando as características acima, notou:

(1) Os cientistas são muitas vezes juízes fracos do processo científico;
(2) A pesquisa cientifica é muito dificil. Qualquer coisa que pode correr mal vai correr mal;
(3) A ciência não está dependente da honestidade ou sabedoria dos cientistas.
(4) Descobertas reais de fenómenos contrários à experiência cientifica anterior são muito raros, enquanto fraude, ilusão ou erro resultantes de entusiasmo são muito comuns.

As observações de Langmuir implicam que os cientistas se devem afastar de tópicos controversos como priões, fusão fria e pontos de energia zero? Não. O que significa é que qualquer cientista fazendo qualquer pesquisa deve proceder com cuidado, um sentido da história da ciência e conhecimento das tandências da natureza humana que podem facilmente desviá-lo do caminho da sensatez. O que se segue tambem é que mostrar pouco ou nenhum interesse em permitir a outros tentarem provar que uma teoria fantástica está errada, respondendo às objecções com hipóteses ad hoc para explicar qualquer duvida, é um sinal de ciência patológica se não mesmo de pseudociência.

Ver Blondlot e os raios N.


Links

Cromer, A., "Pathological Science: An Update,"Skeptical Inquirer, SUMMER 1993 (vol 17, no. 4).

"Pathological Physics," Physics Today, Outubro 1989.

recuarhome