Combustão Humana Espontânea (CHE)

O processo pelo qual um corpo humano arde em resultado do calor gerado por acção química interna

Muitas pessoas sentiram que estavam quase a explodir, ou sentiram um fogo no estômago, mas até agora não há relatos de alguem irrompendo em chamas devido a combustão espontânea partindo do interior. É verdade que algumas pessoas explodiramou pegaram fogo, mas as causas detectadas foram sempre de origem externa. A ideia de um animal, humano ou não entrar em ignição espontaneamente é absurda. Talvez por isso as histórias abundem nos livros de "mistérios."

Para ser leal para os amantes de mistérios, deve-se notar que a CHE é reservada quase exclusivamente a cadáveres. Há muito poucos relatos respeitantes a vivos. Uma dessas refere-se a um alemão do sec. XVII que entrou em autocombustão após ter bebido muito brandy. Se isso fosse uma causa, deveriamos ter muitissimos casos e não um isolado na Alemanha.

Cépticos não acreditam que haja casos de CHE bem documentados, embora haja algumas centenas de histórias acerca de pessoas e cadaveres que entraram em combustão espontânea. Muitas delas são relatórios de policias perplexos com corpos parcialmente queimados junto a tapetes ou mobilias intactas. "Que mais pode ser?" perguntam. Bem, porque não um cigarro aceso deixado cair sobre a roupa, ou alguem que incedeia a vitima. A maior parte destas vitimas são idosos que podem ter sido queimados pelos seus assassinos ou que acidentalmente pegaram fogo a si mesmos.

A possibilidade fisica de uma CHE é remota. O corpo humano é basicamente água, mas, para lá de tecido gordo e gás metano, não há muito mais que arda facilmente. Cremar um corpo humano requer enormes quantidades de calor durante muito tempo. Não é fácil obter uma reacção quimica no corpo humano que o faça entrar em ignição. O ponto de ignição da gordura é baixo, mas manter a combustão exige uma fonte externa. Se o defunto tiver comido uma grande quantidade de feno infectado por bactérias, pode ser gerado calor suficiente para o feno arder, mas pouco mais além dos intestinos e do estômago arderia. 

O facto de um fogo queimar umas coisas e outras não, parecendo ter começado no interior do corpo, ou não se encontrar outra evidência para Iá de um corpo queimado, não implica que a explicação mais razoável seja a combustão humana espontânea.

Há coisas que não podemos explicar porque não temos dados suficientes. Não parece benéfico especular sem termos bases para a nossa especulação. Já alguem tentou provocar a combustão de um cadáver? Algum funcionário de alguma morgue presenciou uma CHE? Se sim, onde estão os relatórios? Ou tambem há uma conspiração de silêncio das casas mortuárias? Porque é que os corpos só ardem para policias?

Há mais questões a considerar. O fogo atinge mais de 90 graus Celsius. O corpo humano, quando vivo, está abaixo dos 40 Celsius. Um corpo tende a arrefecer para a temperatura do quarto onde se encontra. Se uma pessoa entrasse em combustão os sinais de aviso seriam enormes: uma sensação de queimadura de 100 graus Celsius! Se um corpo iniciasse a combustão seria dificil mantê-la excepto se o quarto estivesse muito, muito quente. De facto, o quarto deveria estar quase a arder para manter o corpo em ignição. Uma vez o fogo começado, só é auto-suficiente se a temperatura criada pela combustão for igual ou superior ao ponto de combustão da substância que arde. Um corpo frio num quarto frio só se chamuscaria se entrasse em auto combustão.


Links

Edwards, Frank. Stranger than Science, (New York : L. Stuart,1959).

Gaddis, Vincent. Mysterious Fires and Lights

Harrison, Michael. Fire from heaven : a study of spontaneous combustion in human beings (New York: Methuen, 1978).

Hitching, Francis. The Mysterious World: An Atlas of the Unexplained, 1st American ed. (New York : Holt, Rinehart, and Winston, 1978).

Marshall, Richard. et. al., Mysteries of the unexplained, (Pleasantville, N.Y. : Reader's Digest Association, 1982.)

Nickell, Joe. Secrets of the supernatural : investigating the world's occult mysteries with John F. Fischer (Buffalo, N.Y. : Prometheus Books, 1988).

Oliver, John Rathbone, Spontaneous combustion, a literary curiosity, (Chicago: The Argus Book Shop, Inc., 1937).

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